Quinta-feira, 17 de Maio de 2007

Take a look!

tempo_caustico_.jpg
me raparigadoaviao às 09:59
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 11 de Maio de 2007

Mia Couto - O caçador de ausências

 

 Há poucos dias Mia Couto ganhou um prémio.

 Para mim ganhou-o há alguns anos com esta crónica na revista do Jornal Público

 

 O caçador de ausências

Fui salvo por raspão de milagre.ou dando nome ao justo :me salvou o leopardo, mais seu roargido. Mas estou saltando a linha sobre o parágrafo.Comecemos pelo ponto inicial.

Com a licença do acontecido: eu tinha ido insistir com o compadre Vasco Além Disso Vasco para que ele pagasse antiga dívida.Ia na esperança de voltar carregado.Até levava saco vazio para facilitar meu regresso.Há muito que o compadre lhe devia uns dinheirões.Mas ele sempre argumentava - tinha sido a guerra, agora era a paz.

Vasco não devia só a mim, mas ao mundo.Por razão disso,ele se remetera para longuras do além, isoladonos vastos matos.Ele e sua esposa Florinha.Ah a Florinha!Quanta lembrança me encostava essa mulher!Eu tivera um caso com ela, faz tempo.mas tinha sido mais um ocaso que um caso.Eu não me recosturara daquela ferida.Sabem daquela misteriosa luz que parece arredondar o escuro quando apagamos todas as luzes?Pois, Florinha era essa luz.Quando fecho os olhos para me passear no passado, Florinha  é a primeira a visitar-me.Seu corpo não é apenas a primeira memória.Ele é a porta que abre todas as restantes lembranças.

E foi abençoado por essa saudade que cheguei ao lugar de Vasco.bati à porta , ele nem atendeu.Não fugio nem rugio.mandou um miudo com mensagem da sua ausência:não estava e além disso , estava ausente.E mais:Vasco Além Disso Vasco mandara dizer que agora residia em inserteza de parte.Ainda insisti:

- E Florinha também deu ausência?

- Florinha? não sabe o que aconteceu com ela?

- Não.

O miudo falou que florinha figira de casa, numa noite dessas.Diz -se que ela se entranhara na floresta, deambulando sem destino.Ainda lhe seguiram o rasto até à curva do rio.Depois subitamente, nenhuma pegada, nenhum vestígio, nenhuma gota.mal soube da fuga, Vasco ordenou que todos espalhassem vigília e despenteassem capins e arvoredos.Enlouquecido passou o mato a pente fino.Pobre homem:abanava a árvore para cair fruto mas quem tombou foi serpente.A solidão  se enroscou , definitiva no seu viver.E o homem se azedou  a pontos de se raivar contra tudo e todos.Quem sabe tinha sido boa fortuna eu ter falhado encontrar-me com esse Vasco? com certeza , ele me receberia a tiro de espingarda.....

Assim com saco vazio e alma magra, eu me fiz ao mato ensaiando um arrastoso regresso.Trazia comigo o meu nenhum dinheiro, bolço enchido de sopro. um céu triste me enevoava.Pela primeira vez chamava lembranças e a Florinha nãO comparecia.estranhei, com suspeição.Porque ela se tinha retirado da sua ausência??

Meu sobressalto tinha razão.porque sem saber, um contrabandoleiro me tinha seguido desde a cidade.O malandro sabia , por certo, que eu ia colectar um montante.Tomando-me por um zé-alguém, o bandido me emboscou.Saltou de um penhasco, sombra encostando-se-me no corpo.Foi espetando nariz no meu hálito enquanto encostava o cano da espingarda no meu pé.Olhei para baixo, em respeito do medo.

De repente , o valor das minhas partes inferiores se desenhou, superior, ante o meu juízo.Cada pé sustenta mais que uma perna,meio corpo, meia vida.Um pé suporta o p+assado, outro dá apoio ao futuro.Aquele pé que o matulão me ameaçava, eu sabia, aquele pé dava sustento ao meu futuro.

- Esse, não.Lhe peço, dispare no outro pé.

A mão do mautrapilho procurou encosto no meu ombro.era gozo tocar-me?Ou seria o gosto de me ver liquedesfazer em tremuras?Eu já fazia descontos na minha vivência, mais vazado que o saco que tremia em meu regaço.Corajoso é o que esqueçe de fugir?Pois, imóvel fiquei até que se escutou o formidável rugido, clamor de cavernosos dentes.Cruz em peito, credo na boca!O que seria um tal escarçéu?E eis que um leopardo se subitou entre ramos das árvores.E soou o disparo, tangenciando o instante.Tombei no meio de gritaria.Que se passara?O bandido, tomado de susto, disparou em seu próprio corpo.Tudo se passou em fracção de um OH e, no rebuliço, ainda acreditei ver um dedo maiúsculo voando, avulsando pelo ar.mas eu já me desencadeara dali, correndo tanto que os kilómetros se  juntaram às léguas. Em pulos e tropeços, a distância me foi escudando.

Mas contudo e porém.Mordido por ter cão, mordido por não  o ter. E eu me salvava de balázio para me perder na escura selva. Salvei-me da boca, metia-me no dente? olhei em volta e o verde me enleava,pegajoso.Dormi com o relento, lençolei-me com o infinito da estrela.Pensava que era noite de passagem.Mas rodopiei mais noites às voltas, zarantolo.Assisti às quatro estações da lua.Comi raiz, masquei folha, trinquei casca, cuspi-me a mim.Beberiquei orvalhos, na cafeteira da madrugada.

Já eu  tinha perdido contas às manhãs quando ao despertar me rasgou um susto.Focinhando em meu rosto estava o leopardo.Minha alma caiu de joelhos, me entreguei ao meu própio fim. O felinoachegou-see estacou a rasar-me o corpo.Olhei seus olhos, e estremeci até às lágrimas:ali estavam, serenos e espantosos, os olhos de quem eu nunca me curar de  ter amado.

- Florinha!

E mesmo debaixo da tontura entreguei meu rosto, meu pescoço ao afgo.Tanto que não senti nem dente, nem sangue.Outros dizem que foi milagre o bicho não consumar em mim sua matadora vocação.Só eu guardo meus secretos motivos.

fim

Espero que quem tenha lido tudo até ao fim tenha dado o tempo por bem empregue.

 

 

me raparigadoaviao às 15:10
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Quinta-feira, 3 de Maio de 2007

Tiócidade e Contactar

 

 Quando o 25 de Abril aconteceu, eu tinha 8 anos. Apanhou-me na escola e ninguém podia sair sem ser acompanhado pelos pais. Até ai tudo normal.

Engraçado foi qunado toda a gente começou aandar com uns autocolantes ao peito , com dois dedos a fazer o V de vitória claro,mas para mim o máximo era mesmo ser um AUTOCOLANTE. A primeira vantagem da revolução foi para mim o aparecimento do autocolante.

Depois vieram aquelas palavras novas e enormes, com um sentido que calculava importante , mas que desconhecia. Por ex: Solidariedade, Fraternidade ,Facismo, Proletariado entre muitas.

Não tardou nada e começei também a aprender algumas canções, entre as quais Grândola Vila Morena. E Cantei , cantei durante muito tempo "dentro de tiocidade"em vez de Ti oh Cidade. Para mim fazia todo o sentido, batia tudo certo. TIÓCIDADE era mais uma palavra dificil e concerteza com um significado importante , tal como as outras acabadas em ADE. Descobri por acaso e fiquei boquiaberta. COMO É QUE EU LEVEI TANTO TEMPO A DESCOBRIR continua a ser para mim um mistério.

Muitos anos mais tarde, ( há 2 ou 3 ) ,  perto da minha casa estava um terreno à  venda . Na placa dizia: VENDE-SE CONTACTAR  Telefone nº &%$#%&%% a minha filha mais velha  ao fim de passar muitas vezes por ali perguntou-me um dia :

- OH mãe o que é um contactar????

Foi um momento divertido e que me fez recordar a minha querida tiocidade!

me raparigadoaviao às 15:23
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Terça-feira, 17 de Abril de 2007

Pés de Barro

 

Ontem recebi uma mensagem de um número que não conhecia, dizia apenas " acreditas que te amo?". Respondi . Não me parecia justo deixar-me ficar como se fosse o verdadeiro destinatário e recebi um pedido de desculpas.

Fiquei a pensar no assunto, e é incrivel a quantidade de coisas que nos passa pela cabeça nestas altura.Parece-me que alimentei por instantes a esperança que não fosse engano ! Ao mesmo tempo foi um enorme alivio . Os sentimentos são alvos de ataques vários . E  convicções que julgamos ter como certas tem muitas vezes pés de barro.nada que eu não soubesse já.

me raparigadoaviao às 09:57
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

Fantástico mergulho

 

Desde há uns tempos que frequento um clube , um heath club como é giro dizer agora.

Tem algumas modalidades , boas instalações, enfim. Gosto especialmente da piscina e do jacuzzi. Isto de nadar pressopõe  uma serie de requisitos como a touca os óculos e  para mim já chega !

Acontece que muitas vezes equipo-me toda , e zettttttttt enfio-me directamente no jacuzzi , onde as borbulhas me fazem saltar em dias de maior agitação.

Mas ontem foi um dia sem precedentes. Nem touca, nem óculos nem nada.

Fui apanhada mesmo ali á beira da piscina, por uma utente com vontade e necessidade de se exprimir e de me contar os seus últimos 3 anos de forma enérgica. Nunca se demoveu , nem quando me via olhar para a piscina e para o relógio.

Resignei-me e ás tantas  aproveitei  o embalar da conversa para dar asas o meu pensamento que fez o que bem entendeu . Foi um mergulho fora do habitual!

me raparigadoaviao às 14:24
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Quarta-feira, 11 de Abril de 2007

raparigadoavião

 

raparigadoavião

 

É uma frase importante para mim.O meu avó Zé , que era militar e aspirava  que eu tocasse violino , (pois era para ele o mais elegante instrumento a ser tocado por uma menina) , gostava muito de ler o Jornal . Era um Jornal da Cidade apenas 4 páginas ,e na última  a programação da RTP. No inicio da minha primeira classe ele insistia em que que lesse esta frase "rapariga do avião" e eu lia ,mas tudo junto ,sem conseguir que fizesse qualquer sentido para mim.Li 1,2, não sei. Senti que ele perdeu a paciência e disse A RAPARIGA DO AVIÃO.Perdeu a paciência de maneira discreta.

Nunca me esqueci da rapariga do avião e tive sempre um enorme carinho por ela, até admiração! Não imaginava que se soltasse da minha memória quando ao fim de tantos anos procurava um nome para o blog.Obrigada rapariga , adorei lembrar-me de ti.

me raparigadoaviao às 14:59
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

(Grande Novidade)

Tou furiosa! Acabei de perder tudo que que tinha escrito mesmo agora.

Dizia eu que os grandes prazeres da vida são coisas pequenas ( grande novidade).Lembrei-me disso ontem ao fim do dia , na hora em que tudo fica suspenso . Sempre achei esta hora mágica, hora não , na verdade são apenas alguns minutos entre o cair do dia e a noite.É um espaço de ninguém, tudo é possivel .Um duende podia aparecer, tu podias aparecer ,

materializares-te.O que importa é que naqueles momentos tudo tem tempo, não há pássaro que pareça voar com pressa, é um bocadinho de tempo que dura e que perdurou em mim.

me raparigadoaviao às 14:40
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Maio 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
13
14
15
16
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Take a look!

. Mia Couto - O caçador de ...

. Tiócidade e Contactar

. Pés de Barro

. Fantástico mergulho

. raparigadoavião

. (Grande Novidade)

.arquivos

. Maio 2007

. Abril 2007

blogs SAPO

.subscrever feeds